Entrevista com

Fernanda Zuccaro

e

Chico Santa Rita

1 – O que faz um homem como Chico Santa Rita a largar uma carreira de 40 anos, respeitada para ir para o Douro, em Portugal produzir vinhos?

CSR: Eu não tenho medo de desafios. Minha vida sempre foi pautada por desafios. Mesmo aos 77 anos decidi com Fernanda, minha esposa, a começar em Portugal uma nova atividade. O que eu podia fazer no marketing político, no jornalismo eu já fiz. Também já fiz hotéis, restaurantes e cachaça. Livros contanto todas essas histórias estão publicadas. Só faltava o vinho. Com uma grande vantagem: dá para beber acompanhando o almoço, o jantar… ou até a solidão!

2 – Como foi para você, no auge da sua carreira promover essa mudança: trocar a área de humanas pela a área agrícola e dos vinhos?

FZ: Apesar da minha devoção à política e a comunicação pública sempre soube que, em algum momento eu iria assumir o meu sonho de viver definitivamente na Europa, em um vinhedo a produzir vinhos. Quando em 2010 Chico me perguntou o que eu queria fazer no futuro, não receei em dizer, de coração aberto o que minha alma queria: fazer vinho. Produzir sonhos e prazeres. Produzir momentos de felicidade e de grandes comemorações. O vinho é isso. É a bebida para se comemorar a vida; o nascimento; o amor; as amizades… Poder criar um vinho e saber que, dentro daquela garrafa tem toda uma força que vem da terra, da vida da videira, dos invernos e verões que ela viveu. Dos cuidados da poda de inverno. Dos tratamentos e carinhos que recebeu, isso é mágico. Poder contar essa história para os brasileiros e brasileiras que, em geral, não vivem a cultura do vinho, é emocionante.
Não tenho vergonha de, aos 41 anos estar nas salas de aula da UTAD – Universidade de Trás-dos-Montes junto de dezenas de jovens, cheia de dúvidas; ávida pelo conhecimento. Sinto-me privilegiada em poder criar um negócio e oferecer um produto de mais alta qualidade, não só em termos enológicos mas, também, com a qualidade de quem se preocupa com a cadeia de produção da sua empresa: desde a origem dos bacelos, as equipes de mão de obra, seguros, fornecedores, equipamentos, produtos, garrafas e tudo mais para que, possa fornecer.
Eu acredito que meu papel, como produtora de vinhos é, ir além de apresentar uma bebida. Minha missão é promover um novo olhar sobre o vinho português, principalmente, um novo olhar sobre o vinho do Douro e de Portugal. Apresentar que, sonhos são objetivos. Objetivos existem para serem realizados.

3 – Por que o Douro? Portugal? Qual a maior dificuldade que vocês encontraram no Douro?

CSR: O vinho do Douro é mundialmente reconhecido como um dos melhores do mundo. Com uma grande vantagem: fala português.
FZ: Foi amor à primeira vista. Inverno de 2013. Fomos levados por um grande amigo para passarmos o final do ano no Douro. Foi mágico. Nos encantamos pelas aldeias que, à noite, parecem presépios. As estradas sinuosas que compõem cada montanha. Os socalcos, a força do homem e da mulher que construíram cada muro, que plantaram cada pé de vinha. Ao voltarmos em maio de 2015 sabíamos que seria no Douro o nosso lar.
Eu sinto-me em casa. Eu pertenço ao Douro. Eu sou duriense, diz Fernanda.

4 – Quais são os vinhos que vocês estão lançando e qual a capacidade de produção da Quinta Alta?

FZ: Estamos lançando, a partir de setembro de 2019 a linha qalt. O vinho branco 2017 e 2018; o vinho rosé 2018 e o tinto reserva 2018. São vinhos todos de uvas das nossas Quintas. Nossa capacidade de produção ronda os 45 mil litros de vinho por ano. Nosso objetivo não é crescer em quantidade. Muito pelo contrário. Desde de abril de 2017 nossos esforços e investimentos estão concentrados em melhorar a qualidade das nossas vinhas, qualificar nossa equipe, promover os melhores insumos, como rolhas, garrafas, rótulos de boa qualidade, a altura do produto envasado.

5 – Aonde os vinhos qalt estarão à venda? Qual o preço deles?

CSR: Nosso foco sempre foi levar o vinho qalt direto ao consumidor e consumidora final e, por isso, apostamos no nosso e-commerce em que, de forma direta e simples qualquer pessoa maior de 18 anos, seja na Europa ou no Brasil, poderá fazer o pedido dos seus vinhos. No Brasil, terá uma empresa de distribuição (como o contrato ainda não está totalmente assinado nos reservamos o direito de não divulgar o nome do nosso parceiro) que cuidará da logística. E, aqui em Portugal e resto da Europa, é a Rumo Garrafeira e Distribuidora que tem a exclusividade dos produtos da Quinta Alta.

6 – Qual a sensação de, como brasileiros fazerem vinhos no Douro e trazerem para o Brasil?

FZ: Um prazer e uma felicidade que não cabe em meu coração. É algo que simplesmente não consigo explicar através de palavras. Por isso, posto fotos, vídeos e histórias da nossa trajetória, nas redes sociais para que nosso público sinta um pouquinho da nossa realização. Aí, ao abrir uma garrafa do nosso vinho vai poder ter o sabor da persistência, resiliência, fé, força, lágrimas… eu sinto, em mim, muitas vezes a Dona Ferreirinha soprando em meu ouvido: Força miúda, tu és uma duriense, você consegue!

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